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Herding Behavior dos Fundos de Investimento Mobiliário em Portugal

Nas últimas décadas, tem-se assistido a um enorme crescimento dos fundos de investimento mobiliário em todo o mundo.

Os investidores institucionais nos EUA, que detinham apenas 6,1% de todas as acções em 1950, gerem hoje mais de 50% das acções emitidas naquele país, cerca de 30 biliões de dólares, e são actualmente oprincipal meio de investimento no mercado de capitais. Na Europa, a importância dos investidores institucionais ainda não atingiu os níveis dos EUA, mas mostra sinais de forte crescimento.
Em Portugal, a última década foi de grande desenvolvimento do sector. Se, em 1990, os fundos portugueses representavam ainda menos de 5% do produto, no final do ano de 2002, os fundos já detinham sob gestão mais de 20 mil milhões de euros, o equivalente a cerca de 12% do total da capitalização bolsista portuguesa e 20% do produto nacional bruto.
Além de disporem de uma parcela considerável dos activos cotados nos mercados de capitais, os fundos de investimento eram responsáveis, no exercício da sua actividade, por uma percentagem significativa do volume de transacções verificado em Portugal. Em consequência, os investidores institucionais têm uma importância crescente na formação dos preços. Para conhecer o comportamento dos preços de mercado interessa, por isso, compreender o comportamento dos fundos de investimento.
Existe uma convicção mais ou menos generalizada no seio da comunidade académica e entre os agentes de mercado de que os investidores institucionais são influenciados pelo comportamento dos outros investidores.
Esses comportamentos de imitação, também designados de herding, podem ser importantes na compreensão de fenómenos como a volatilidade excessiva nos mercados, a formação sistemática de expectativas erradas, os crashes e as bolhas especulativas, etc.
A existência de herding entre os investidores institucionais é apontada frequentemente como uma das principais causas para a existência de movimentos “exagerados” nos preços e para a desestabilização dos preços de mercado.
Muitos estudos se têm debruçado nos últimos anos sobre os comportamentos de imitação entre os fundos de investimento mas somente nos mercados mais desenvolvidos.
O presente trabalho avalia os comportamentos de herding entre os fundos de investimento mobiliário em Portugal.
Apresentamos as principais teorias explicativas do herding entre os investidores institucionais. A investigação teórica do tema pode ser dividida em duas perspectivas diferentes: uma visão não racional que atribui a existência de comportamentos imitativos a factores relacionados com os instintos dos investidores e a razões de ordem psicológica; e uma visão racional do fenómeno que defende que o herding pode ser um resultado de equilíbrio da actuação dos vários agentes racionais no mercado.
Os estudos empíricos já existentes sobre o herding entre os fundos de investimento mobiliário incidem principalmente nos mercados de acções dos EUA e Reino Unido. Os estudos mais recentes apontam para a existência de herd behavior, mas a níveis economicamente pouco significativos, entre os investidores institucionais que actuam nesses mercados.
A amostra no presente trabalho refere-se às transacções efectuadas pelos 32 fundos de investimento mobiliário com maior percentagem de acções em carteira que actuaram no mercado de acções português entre os anos de 1998 e 2000. No total, a amostra contém um conjunto de 31452 observações não nulas.
Os resultados mostram que o nível de herding encontrado em Portugal é entre 4 e 5 vezes superior ao detectado nos principais mercados desenvolvidos dos EUA e Reino Unido. A elevada expressão do herding em Portugal é ainda mais relevante por persistir em todos os anos da amostra e resistir a variações no número de fundos a transaccionar em cada momento.
O herd behavior regista valores elevados tanto do lado das compras como do lado das vendas de acções. Em geral predomina o herding nas compras, embora em 1999 o fenómeno do lado das vendas seja preponderante.
O herding observa-se sobretudo entre os fundos de dimensão média – mais do que entre os fundos de dimensão muito pequena ou elevada. Este resultado aponta para que o herding ocorra principalmente entre fundos de dimensão diferente o que é consistente com a existência de maiores capacidades de pesquisa e tratamento da informação por parte dos fundos de maior dimensão.
Quanto à relação entre a composição dos fundos medida pela percentagem de acções que compõe as suas carteiras e os comportamentos de herding, constata-se que os fundos com uma maior componente accionista tendem a manifestar menores níveis de herd behavior. Este resultado é bastante consistente ao longo de todo o período da amostra e pode indicar que os custos de research de informação subjacentes à necessidade de investimento numa gama alargada de activos diferentes – acções, obrigações, unidades de participação, etc. - condicionam os comportamentos de imitação.
Os resultados sugerem que o factor rentabilidade do mercado influencia o comportamento dos fundos de investimento mobiliário no que ao herding diz respeito.
Os fundos tendem a reduzir os comportamentos de imitação em alturas em que o mercado apresenta rentabilidades mais elevadas o que evidencia a importância que a confiança que os gestores de fundos têm em si próprios desempenha na gestão das suas carteiras.
No que se refere à relação entre a volatilidade verificada no mercado e o herd behavior dos fundos de investimento, conclui-se que os comportamentos imitativos são exacerbados em períodos de menor volatilidade. Este resultado pode estar relacionado com o facto do fluxo de informação nova que chega ao mercado ser menor em alturas de menor volatilidade.
Os próximos caminhos a percorrer na investigação nesta área deverão insister numa maior ligação entre as teorias explicativas do herding e os testes a aplicar.