Mensagem do Bastonário

 

 
 E2015 - Tomada de Posse - f14


Caros Colegas,

As Ordens Profissionais são Associações públicas, financiadas exclusivamente pelos seus membros e que possuem órgãos sociais eleitos, sendo a sua gestão fiscalizada pelo Tribunal de Contas.

Todas funcionam de acordo com o estabelecido pela Lei-quadro das Ordens Profissionais (Lei 2/2013) e têm os seus estatutos aprovados pela Assembleia da Republica.

É o que acontece com a Ordem dos Economistas, fundada em 1998 e que tem pautado a sua actividade, desde o início, pelo cumprimento dos objectivos fundamentais duma Ordem Profissional e que são: o reconhecimento e dignificação da profissão de economista; a divulgação da ciência económica; e todas as formas de contribuição para desenvolvimento e divulgação daquela. Nunca confundimos a Ordem com outras instituições, sejam elas organizações corporativas, partidos políticos, sindicatos ou outras. E sempre cumprimos escrupulosamente essas finalidades, com total isenção, independência, transparência e equilíbrio, fosse no período em que tenho sido o primeiro responsável da Ordem, desde 2011, seja nos mandatos dos anteriores Bastonários, Prof. António Simões Lopes e Dr. Francisco Murteira Nabo.

A Ordem dos Economistas atribui a cédula profissional a quem possui a necessária preparação académica. A cédula profissional é o reconhecimento de que o seu possuidor é economista, seja este macro economista, gestor ou administrador de empresas, financeiro ou auditor, entre outras especialidades. Se possui as necessárias credenciais de preparação académica e ou experiência profissional confirmada, tem direito à obtenção da cédula profissional que é válida em todos os países da União Europeia.

Hoje, vamos vários membros da Ordem, tomar posse dos cargos para que fomos eleitos no passado dia 30 de Novembro. E fazemo-lo com a convicção e a responsabilidade de sabermos que cumpriremos este mandato da forma mais profissional, séria e independente tal como os cerca de onze mil associados da Ordem esperam de nós. A todos o agradecimento profundo pela generosidade que revela a sua adesão aos princípios da Ordem.

No programa eleitoral, demos conta do que nos propomos realizar neste mandato que se inicia agora. E, entre os muitos objectivos que nos propomos alcançar, está o aumento do número de membros, seja os que vão terminando nas várias Escolas Superiores a sua formação, seja os já consagrados e que ainda não tiveram oportunidade de se inscreverem na Ordem. Todos são necessários e são bem vindos, pois poderemos ter mais força e capacidade de afirmação se formos mais, de vários escalões etários, possuindo diversas especialidades na área económica, com experiências diversificadas e percursos profissionais diversos.

Neste momento, as especialidades já reconhecidas na Ordem e que se integram em Colégios da Especialidade são cinco: 

- economia política; - economia e gestão empresariais; - auditoria; -  análise financeira; - gestão de insolvências e recuperação de empresas. Outras estão em preparação e surgirão neste quadriénio que agora se inicia, à medida que se justifiquem.

A economia portuguesa atravessa, actualmente, um período incomum, com um enquadramento externo muito favorável, o que permitiu sair, finalmente, do procedimento de défices excessivos, crescer acima das previsões das principais instituições portuguesas e internacionais, descer a taxa de desemprego para valores com um só dígito (9,4% do PIB), nomeadamente no sector de serviços, e continuar a registar bons indicadores quer na área do turismo, quer no que respeita às exportações (onde se espera um aumento de 9,6%.

Porém, as causas profundas do nosso desequilíbrio continuam por encarar e resolver. À cabeça, a questão demográfica, com uma taxa de fertilidade (1,3%) que é das mais baixas do mundo, a continuada saída de quadros para trabalharem fora de Portugal por falta de empregabilidade em Portugal e uma quase total ausência em aceitar o princípio do envelhecimento activo, com o devido aproveitamento de tantos portugueses que, mesmo vendo chegar a altura da reforma, pretendem continuar a trabalhar, visto estarem na posse de todas as suas condições mentais e físicas.

Os japoneses já hoje fazem esse aproveitamento dos mais velhos e tal tem compensado a baixa taxa de natalidade e o fraco número de imigrantes que esse país recebe. Há que pensar se não devemos, em Portugal adoptar solução semelhante.

Há que criar incentivos aos casais para promover a natalidade, há que criar rapidamente condições para que o envelhecimento activo seja uma realidade, quer nos serviços públicos quer no sector privado.

Igualmente, o investimento líquido apresenta-se negativo desde o início da crise de 2011e a produtividade, sempre tão referenciada, cai há dois anos, e estes são dois aspectos a analisar com urgência.

Por outro lado, embora os bancos portugueses tenham desalavancado a sua actividade, desde o início da crise, ainda hoje mantêm um apreciável volume de crédito mal parado e, por outro lado, apresentam um valor mínimo de capital em percentagem dos activos ponderados pelo risco, quando comparado com outros países europeus. Há pois, que analisar estes aspectos devidamente.

Por outro lado, em Portugal a taxa de poupança é das mais baixas da Europa e encontra-se em mínimos históricos, abaixo de 5%, o que é deveras preocupante. Rapidamente há que fazer inverter esta tendência.

Ainda é de referir que, reposta a confiança, depressa se retomaram os hábitos antigos, com o crescimento rápido do endividamento das famílias e das empresas. Há que criar condições para que uma nova bolha não possa surgir em consequência desta situação.

Portugal tem mesmo de tomar a decisão de empreender as necessárias reformas e entrar num novo círculo virtuoso, aproveitando todas as oportunidades que são oferecidas pela revolução tecnológica em curso e pelas recentes mudanças na natureza da globalização.

Aliciar investimento produtivo, nacional ou estrangeiro, dando-lhe condições para ser competitivo é uma das tarefas de Portugal. Mas, tem de ser uma atitude permanente, com a implementação de políticas públicas adequadas. O investimento tem de se dirigir, preferencialmente, para o sector transformador, aquele que investe em investigação e desenvolvimento.

Temos, presentemente, uma situação assaz curiosa: cumprimos escrupulosamente as responsabilidades internacionais, nomeadamente os deveres comunitários, mas no Parlamento o poder é conservado através de um complexo jogo de alianças que dificulta o lançamento das reformas tão necessárias para o crescimento económico e para o bem estar sustentável da população.

Portugal, mesmo sendo já hoje reconhecido como o terceiro país mais pacífico do mundo ou como o melhor país europeu para ser visitado, deverá ambicionar crescer economicamente com sustentabilidade, tornar-se destino preferencial para investimentos produtivos, garantir pela criação de riqueza a manutenção e melhoria, sem sobressaltos, do Estado Social.

Entramos em 2018 com expectativas elevadas. Esperemos que a estabilidade política, social e laboral se mantenha, que se torne evidente a necessidade de proceder a transformações e reformas necessárias para que a situação do País seja melhorada, de forma sustentável e que crie as condições para o crescimento económico de que Portugal precisa.

Estas são algumas das preocupações da equipa directiva da Ordem que hoje toma posse. Para a realizar, há que trabalhar e poder contar com os Colegas membros da Ordem e, igualmente, com os Colaboradores permanentes desta Associação.

Com todos conto e a todos renovo os meus agradecimentos pelo apoio, disponibilidade e generosidade demonstrados ao longo dos anos e, sobretudo, agora na preparação da lista vencedora, do seu programa e da sua linha de actividades a realizar.

  

Rui Leão Martinho

(Bastonário)

 [Discurso Proferido na Tomada de Posse realizada na Sede da Ordem no dia 08 de Janeiro de 2018]

 

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